maio 08, 2014
Tempo, lento, sento, penso, tento. Medito. Por um segundo medito o que me coloca nessa profunda abstinência toda vez que a noite cai. A falta de sexo, de um corpo em contato com o meu, a fricção de peles e pelos. O que me falta não é ele, sou eu. Eu que não me permito. Eu que fico de longe observando o dia passar - E agora quando a noite chegar?, calada, me fecho. A falta nisso tudo é a carência que eu deixo em tudo que passo. Tudo fica um tanto incompleto quando entra em contato comigo. É como se o tempo cobrasse um pouco mais de mim (aquela tal doação de si mesmo). É difícil, exige foco, afinal, quando se distrai sua solidão já está colada peito a peito contigo. Se sinto dependência é de mim mesma, isso me alivia. Mas e o café? O chá de toda noite? Os banhos demorados? As práticas de yoga? - Quem sou eu sem elas? - E os amigos? Companheiros de jornada? Os livros? As comidas? As roupas? A estrada? Sou prisioneira dessa cidade, no MAIS alto grau, porque além de presidiária, sou viciada.
maio 01, 2014
Nunca fui de escrever poesia. Eu nasci na prosa e na prosa me rendo, me sublimo, me evoco. Mas o que posso fazer se o que me excita hoje é um verso curto rimado?
sigo suada
pela calçada
seria amor
ou estaria cansada?
minha mente parava
eu já não pensava
um pingo caia
na blusa na calça
eu sou caminheira
por nome e decreto
sigo meu rumo
sem cair no reto
subo e desço
faminta a escada
abro a geladeira:
eu estava cansada.
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